Como projetar uma cozinha acessível: móveis ajustáveis e multifuncionais

por José Tomás Franco

Traduzido por Eduardo Souza

 

A acessibilidade universal na arquitetura, ou seja, a possibilidade de todas as pessoas acessarem e habitarem um espaço independentemente de suas capacidades cognitivas e / ou físicas, é um assunto que não pode mais ser deixado de fora da discussão. E ainda que pequenas operações possam fazer a diferença, o ideal é pensar os espaços desde o início de acordo com as diretrizes do desenho universal.

No caso das cozinhas, uma série de novas tecnologias surgiram para aumentar o conforto e a eficiência de nossos espaços cotidianos, multiplicando suas funções e permitindo um melhor aproveitamento da superfície disponível. Vamos rever as últimas inovações apresentadas por Häfele.

 

Considerações básicas

Embora cada país tenha normativas detalhadas a este respeito, existem medidas mínimas que devemos respeitar para garantir a acessibilidade da nossa cozinha. Por exemplo, para a passagem livre e movimento de uma cadeira de rodas, as circulações devem ter uma largura mínima de 80 cm, embora seja recomendado aproximar-se de 120 cm. Os artigos e utensílios devem estar ao alcance direto do usuário, incorporando alças ou sistemas de abertura fáceis de abrir e torneiras com alavancas em vez de chaves (em casos extremos, use torneiras gerontológicas). A iluminação geral deve ser estável e uniforme, misturando luz natural e artificial, tanto quanto possível, e luzes focadas podem ser adicionadas em áreas específicas e adicionar sistemas automatizados programáveis e sensores de movimento. Recomenda-se a instalação de pavimentos antiderrapantes e a escolha de materiais seguros, fáceis de limpar e, sempre que possível, antibacterianos.

 

Bancadas ajustáveis

Com uma amplitude de movimento de 67 centímetros, o sistema Vitaflex permite ajustar a altura da bancada de acordo com a necessidade de cada usuário específico. Incorporando colunas de elevação que suportam até 60 kg, a bancada considera o movimento de artefatos como a cozinha ou a lava-louças, permitindo o movimento efetivo de todo o conjunto.

 

 

As mesas extensíveis permitem ampliar o espaço útil e habitável da cozinha, facilitando também o acesso a pessoas em cadeiras de rodas. Perfeitamente escondidas em uma gaveta, alguns deles se encaixam e se ajustam à altura da bancada, enquanto outros se estendem como uma sala de jantar.

 

 

 

Gabinetes móveis

Também é possível incorporar gabinetes que se aproximam o alcance do usuário com um simples movimento e / ou interruptor de botão de pressão. Uma opção pode ser uma estrutura aparafusada à parede, que permite mover o gabinete diagonalmente, para baixo e para frente. Outra opção é usar colunas de elevação que movem o gabinete apenas verticalmente.

 

Gavetas deslizantes

Embora normalmente sejam usados para armazenar utensílios de cozinha, é importante considerar as gavetas deslizantes em todos os móveis inferiores, evitando o desenho de gabinetes fixos que são muito profundos e de difícil acesso.

 

Portas eleváveis

No móvel superior, é possível eliminar as portas articuladas para incorporar portas eleváveis, dando acesso aos artefatos e utensílios durante o trabalho. Este sistema também permite limpar a área da cozinha, permitindo o livre movimento sem fechar os armários.

 

Cozinhas multifuncionais 

A integração de todas essas tecnologias permite construir cozinhas multifuncionais, que se ajustam e se adaptam às diferentes necessidades dos usuários, diversificando as funções em um pequeno espaço. E enquanto os sistemas eletrônicos permitem mover mesas e gabinetes em diferentes direções e alturas, também é possível programar configurações predeterminadas que aumentam ainda mais a qualidade de vida de seus usuários, estabelecendo mesas de café da manhã, locais de trabalho, espaços de armazenamento, entre muitos outros.

 

 

Disponível em: www.archdaily.com.br/br/920136. Acesso em: 19/09/2019.

 

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