Hotel Marques De Riscal | Frank Gehry

 

Introdução

Marqués de Riscal é a adega mais antiga e tradicional de La Rioja. Começou seu andamento no ano de 1860 e destaca por seu caráter pioneiro, inovador e inconformista, e introduz as técnicas de elaboração do vinho francês.

Sempre um passo à frente dos outros, abrindo o caminho, sem esquecer a tradição. Neste quadro, combinando tradição e futuro, nasceu a ideia de construir um edifício revolucionário, capaz de simbolizar o espírito inovador da empresa. Em 1998, Marqués de Riscal torna-se pioneiro na ideia de combinar espaço de produção com um espaço para o lazer, e dá um passo à frente para criar a Cidade do Vinho, que visa aumentar a conscientização sobre o vinho, a sua história, cultura e filosofia, e incluirá um espaço de vinhoterapia, um museu do vinho, um centro de pesquisa e formação enológica, além de toda a infraestrutura de uma adega como Marqués de Riscal.

No interior deste complexo se situa o eixo principal, o hotel projetado por Frank O. Gehry.

 

Gehry e o projeto

Gehry decidiu visitar o local, antes de aceitar o encargo. Meses depois passou um fim de semana na adega e provou alguns de seus vinhos, entre outros, um do ano de seu nascimento, 1929. Neste momento, e depois de conhecer também o lugar, seu povo e o programa de benefícios, apostou e acreditou no projeto, para imbuir-se por completo o espírito desta adega centenária.

Para iniciar o projeto, após o sucesso obtido no museu Guggenheim Bilbao, em colaboração com IDOM como estudo associado de arquitetura, Gehry conta de novo seu apoio para este novo projeto, ampliando as funções de arquitetura e engenharia no local com a elaboração de projetos de arquitetura e engenharia.

Arquitetura escultural de Gehry segue um estilo e visão pessoal de arquitetura, criando esculturas funcionais. Combina formas curvas sensuais com complexas massas, abre novos caminhos e cria novas linguagens arquitetônicas conseguindo desta forma resultados novos e significativos.

Gehry apresenta um projeto inovador e vanguardista, de acordo com o espírito de Marqués de Riscal. A explosão de cores e formas cria um movimento através da forma do edifício que foge da sua fundação para se elevar e se misturar no ambiente e somar com a paisagem ao redor.

O edifício é uma composição de prismas retilíneos que flutuam sobre o solo graças a três super colunas que suportam todo o edifício. Tudo é envolto em chapas de titânio colorido em sua cobertura.

A irregularidade da cobertura obrigou a empresa a realizar diferentes testes e comprovações. Primeiro, o modelo foi testado em um túnel de vento no Canadá e, posteriormente, mediante outro programa de simulação CFD, que permite realizar um túnel de vento virtual, o que tornou possível comprovar o primeiro teste, que permitiu obter resultados muito semelhantes.

 

O processo de seleção do operador

O hotel é projetado como um “chateau” entre as vinhas da região, mas sem saber quem o iria gerenciar e, portanto, com o risco de saber que poderia estar sujeito a alterações. Até que o edifício não tenha concluído sua estrutura de concreto não se sabe quem irá operá-lo. Riscal seleciona Starwood depois de uma competição entre vários possíveis gestores de instalações. Starwood é uma rede que opera com oito marcas diferentes segundo padrões e critérios de conforto. Sheraton, W, entre outros e Luxury Collection como a de maior alcance.

Este hotel está incluído desta última marca e a rede requer modificações no programa. A expansão mais significativa do número de quartos que no início tinha apenas 14 unidades, dando lugar a um novo prédio anexo.

 

Conceito

Tudo é envolto em chapas de titânio coloridas em rosa, ouro e prata que na luz do dia reflete em suas curvas os tons avermelhados do vinho tinto, o ouro da malha e a prata da tampa da garrafa de vinho Marqués de Riscal.

As fachadas de pedra e janelas de madeira estabelecem diálogos e contrastes com edifícios tradicionais do século XIX do entorno, usando um arenito com a mesma tonalidade de arquitetura tradicional nessa área.

 

Espaços

Cada andar é diferente e altamente irregular, e diminui de tamanho à medida que sobe verticalmente.

A elevação do edifício, graças as três super colunas que começam nove metros abaixo do acesso ao hotel e atravessa adega de Marqués de Riscal, permitindo vistas espetaculares em todos os andares, tanto do vinhedo, como do Elciego, e da igreja com as montanhas da Serra de Cantabria como um magnífico pano de fundo.

No primeiro andar, onde estão localizados todos os quartos do estabelecimento hoteleiro, encontra-se ainda um outro andar com o restaurante, um mezanino para serviço e no último andar, com um salão para os hóspedes. A estrutura complexa da cobertura dá voz a um diálogo marcante entre as vinhas e o edifício. Estas formas servem de tela para refinar o sol intenso de La Rioja, que permite enquadrar as perspectivas de todas as janelas do edifício.

 

Estrutura

A solução estrutural deste edifício é um híbrido que combina aço, concreto armado e sistemas de concreto protendido. O aço se concentra principalmente na cobertura, cuja totalidade da estrutura principal é feita basicamente de concreto. Uma vez que o desenho do edifício foi modelado em Catia, este é dividido em dois para simplificar o processo do desenho estrutural: por um lado, o desenho da cobertura e por outro lado, a estrutura de suporte de concreto armado, que são ambos considerados diferentes de acordo com processos de cálculo e desenho. O Hotel Marqués de Riscal foi o primeiro projeto deste tipo em muitos aspectos. Princípios estruturais convencionais têm sido reconsiderado desde o ponto de vista da estabilidade, organização, regularidade e repetição. O desafio consistia em conseguir um sistema estrutural organizada que respeitasse o conceito básico da arquitetura irregular.

Para o cálculo posterior de toda a estrutura foram utilizando vários programas, entre eles RISA para a estrutura metálica e ANSYS para estrutura de concreto.

 

Estrutura de concreto

A construção é formada por uma série de bases estruturais. As três super colunas que abrigam as escadas e elevadores do edifício são os únicos três pilares do edifício, e não só levam as cargas verticais para a fundação, mas também dão estabilidade lateral e resistência a cargas horizontais.

O piso do primeiro andar sobre o acesso e as três super colunas, atingem uma profundidade variável, de 0,45 metros da borda mais externa da laje, com o perímetro altamente irregular que serve por sua vez como um grande cantilever, até um máximo de 1,3 metros no centro das três áreas principais. Um sistema de protensão foi introduzido na direção transversal como um reforço da estrutura. Esta laje inclui cargas de outros andares do prédio, que se materializam mediante sucessivas lajes armadas.

Para absorver as cargas de vento do edifício será necessário fornecer continuidade aos núcleos em altura e uni-los de forma monolítica às várias lajes de concreto.

Este feito representa um problema para o concreto, que deve reduzir os valores de retração a 1/3 do habitual. Para atingir este valor, se atua sobre a dosagem de concreto e a sua utilização na construção por fases.

 

Estrutura metálica

Embora a cobertura não possui uma carga transcendente com relação ao resto da construção, devido à sua forma complicada, pode produzir o efeito de vela, concentrando o vento em áreas muito específicas. Estas cargas são transferidas para a estrutura principal por meio de perfis de aço que são ancorados para um dos pisos do edifício ou diretamente ao terreno. As vigas metálicas curvas contínuas podem ser redistribuídas por meio da estrutura para garantir que nenhum ponto alcance a situação crítica dentro do conjunto. Graças à triangulação da geometria, a maior parte das conexões suporta unicamente esforços axiais e de cisalhamento, para evitar praticamente todos os momentos.

A estrutura principal é formada por suportes retos, que surgem, como discutido anteriormente, tanto do perímetro dos andares como do nível de acesso onde descansam vigas tipo HEA / HEB curvadas numa única direção.

A estrutura secundária é composta de barras T galvanizadas, retas em sua grande maioria, que vão se “regulando” para criar a superfície final. Todos estes perfis se unem por meio de parafusos de alta resistência. Sobre eles estão dispostos tubos curvos galvanizados de trinta milímetros de diâmetro, separados cinquenta centímetros entre si, que definem a superfície curva definitiva e na qual foram colocadas umas platibandas que permitem rebitar com algumas folgas as chapas de aço inoxidável ou titânio colorido, sem causar furo nas mesmas como poderia ser causado se executado diretamente sobre o tubo.

 

Revestimento da Cobertura

A cobertura é revestida de aço inoxidável, espelho e titânio colorido. Cerca de três mil e quatrocentos metros quadrados distribuídos entre mil de titânio em tom de ouro, setecentos de titânio em na cor rosa e o resto do aço inoxidável com acabamento de espelho polido, distribuídos por mais de vinte peças diferentes da cobertura que formam a maior parte do revestimento do edifício.

O titânio foi fornecido do Japão, que incorpora uma camada de oxidação que é o que transmitir a cor. Para se conseguir esta cor, a placa de titânio natural é submergida em um ácido no qual se aplica corrente elétrica, processo esse chamado de processo eletrolítico. Este processo produz uma oxidação na placa, dependendo da sua espessura define a cor final da placa.

Após a obtenção de cores, se aplica uma camada de endurecimento incolor que protege esta camada de oxidação e obtêm uma estabilidade total no revestimento final das folhas de titânio. A colocação de titânio e aço inoxidável na cobertura ocorre mediante lâminas de um quadrado de 1,2 milímetro de espessura, que se sobrepõem, na forma de escamas fixadas nos tubos por meio de rebites de aço inoxidável. Para evitar a formação de pares galvânicos entre as platibandas de aço galvanizado e revestimento de titânio ou de aço inoxidável se dispõe de uma fita tanto entre os rebites de aço inoxidável como com o titânio e o aço galvanizado, para que seja necessário instalar uma bainha poliamida entre cada rebite.

Uma dificuldade adicional resulta na visão que se tem da cobertura, dado que em sua maioria, ambas as faces são visíveis, para qualquer defeito que se tenha a estrutura que a suporta ou o próprio material em si que é completamente visível.

 

Fachadas externas

O edifício é revestido de pedra em suas fachadas retas, titânio e aço inoxidável nas curvas, abrindo grandes janelas especialmente entre as sucessivas partes da cobertura.

Mais de mil metros quadrados de caixilhos, todos elas diferentes entre si, retangulares, triangulares, trapezoidais ou losangulares, e muitas com orientações complexas, abrindo o edifício à paisagem de vinhedos e montanhas peneirando a luz externa. Os caixilhos enquadrados por uma carpintaria misturada com perfil de aço galvanizado, esquadrias de alumínio, todo ele revestido de madeira Blondo com uma espessura mínima de quatro centímetros.

As fachadas curvas são formadas por uma estrutura igual à da cobertura, onde perfis T e os tubos possuem uma pele de chapa galvanizada revestida internamente com seis centímetros de lã de rocha reforçada com alumínio e impermeabilizada externamente com uma camada de polietileno e asfalto emborrachado autoadesivo e auto vedante. Nos tubos e nas platibandas, igualmente como no resto da cobertura, são colocadas placas de titânio ou aço inoxidável por meio de rebites.

A pedra de arenito possui um sistema de fachada ventilada composto por bloco de fábrica de cinco centímetros de poliuretano com densidade de 50kg/m3 que também oferece isolamento térmico necessário, uma garantia para a impermeabilização da fachada. Cada pedra possui quatro pontos âncora.

 

Interior

Todo o interior do prédio também foi projetado por Gehry Partners e desenvolvido por IDOM, desde a distribuição de todos os espaços interiores até as cortinas, cabeceira dos quartos e as luminárias. O espaço interior possui design simples e elegante para deixar o seu papel para as formas curvas, paredes inclinadas e à paisagem que se encaixa por trás de cada janela e deixa em segundo plano para a cobertura que filtram e jogam a penetração da luz e a cor da mesma.

No geral, em todo o interior do edifício, os pisos são de madeira de bordo, e as fachadas interiores, paredes e teto são de gesso pintadas em RAL 9010. Apenas em áreas específicas este material é modificado para adequar-se ao espaço, como exemplo se encontram os espaços que têm continuidade a partir do exterior, a qual é mantido o arenito tanto na vertical como no piso.

Os itens de mobiliário que não foram projetados pela empresa de Gehry também foram escolhidos por ele mesmo, definindo-os para cada espaço. Dos elementos interiores mais originais desenhados para este edifício é a cabeceira da cama dos quartos e as luminárias.

 

A cabeceira da cama

A cabeceira é um elemento que cobre toda a superfície da parede do espaço que ocupa, que foi desenvolvido com o programa Cátia por ser uma superfície curvada complexa em duas direções. A empresa de carpintaria responsável pela sua execução teve assim que trabalhar neste programa para dimensioná-la.

O acabamento da cabeceira é de madeira de bordo nas laterais da cama, o mesmo utilizado nos criados mudos que incorporam a mesma curvatura que o resto, localizados nas áreas inferiores. A parte central é revestida de couro macio com uma espuma no interior para o máximo conforto do usuário.

 

As luminárias

As duas luminárias que se encontram na maioria dos espaços interiores foram fabricadas com um acabamento em aço inoxidável.

Uma delas é colocada nas paredes e, devido à sua forma e localização das lâmpadas consegue proporcionar tanto a luz indireta que projeta na parede como luz direta.

A outra é uma luminária embutida nos grandes espaços, tais como recepção e restaurante, que está suspenso a partir do teto, com uma maneira sugestiva que contribui para terminar vestir o espaço em que se encontra.

 

Webs

www.elciego.com/elciego/gehry_riscal.htm
www.marquesderiscal.com/prensa
www.starwoodhotels.com/luxury/property/overview/index.html?propertyID=1539

 

Vídeo

https://youtu.be/dDm_Sn-gi1M
https://youtu.be/sg1uoso21Do

 

Arquiteto: Frank Gehry
Engenheiro Estrutural: IDOM
Ano de Construção: 2003 – 2007
Altura: 25m
Pisos: 4
Localização: Álava, La Rioja, España

 

Disponível em: https://pt.wikiarquitectura.com/constru%C3%A7%C3%A3o/bodega-marques-de-riscal. Acesso em 05/10/2017.

 

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