Sinalização de desenho universal: o primeiro passo para cidades mais acessíveis

Por Fabian Dejtiar
Traduzido por Julia Brant

 

De todas as ações que uma cidade pode realizar para melhorar de forma rápida a orientação de pedestres, uma das opções mais pertinentes poderia ser o desenvolvimento de um sistema de sinalização integral – evidência implícita nos casos de Legible London, WalkNYC em Nova Iorque ou o Rio a Pé no Rio de Janeiro.

Nesta mesma tendência, um exemplo espanhol é o plano “Leer Madrid” de Applied Wayfinding e os sócios locais Paisaje Transversal (estratégia urbana), Avanti Avanti Studio (estratégia de Desenho para Todos), Urban Networks e Paralelo 39 (projetistas e arquitetos urbanos), e consultoria de Dimas García. Esta é uma proposta de comunicação que considera um “desenho para todos” em busca da melhora na legibilidade, segurança e autonomia na cidade para tratar de sua acessibilidade, o que entenderemos em detalhe a seguir.

Por que (e como funciona) um sistema de orientação adequado? Este contribui para que as pessoas, residentes ou visitantes, desloquem-se com maior independência e prefiram fazer isso a pé, o que melhora vários aspectos, como a qualidade do ar da cidade e as condições físicas das pessoas. Além disso, pretende-se dar resposta a perguntas que surgem quando se percorre e explora lugares – neste caso especialmente em relações às incertezas das pessoas de Madri que “contam com uma enorme diversidade humana entre seus visitantes, turistas e residentes. Todas essas pessoas percebem a cidade de maneira diferente. Suas características individuais variam muito, e seus desejos e necessidades também.”. O resultado são benefícios que vão desde uma maior integração social até uma melhor experiência da cidade.

Neste sentido, as primeiras fases do projeto de desenho incluíram visitas ao local por parte da equipe para compreender a situação local, com auditorias para avaliar a legibilidade e sinalização existente.

 

 

“32% dos visitantes e 23% dos residentes já tinham se perdido na semana anterior à pesquisa, quase metade dos usuários dependem de ferramentas para respaldar suas viagens, os visitantes tendem a ficar no centro ao invés de explorar locais na periferia, e nenhum dos entrevistados utilizou a sinalização existente.”

 


 

Como atingir sucesso? Apenas assim se está desenhando para pessoas de todas as capacidades: não como um acúmulo de recursos de acessibilidade complementares, mas como parte fundamental e integrada do foco de planejamento e desenho.

 O cubo da diversidade, criando por Avanti Avanti em colaboração com a Design for All Foundation, aparece, então, para representar de forma realista estas diversas condições que determinam a capacidade individual de orientação na cidade: o idioma, a capacidade funcional e o perfil socioeconômico, assim como o motivo, o ritmo e o modo como nos deslocamos.

 

 

Ele permite simular diversas combinações para cada indivíduo, situações às quais o sistema deve fornecer respostas antes e durante os percursos pela cidade.

 

Manuais de acessibilidade e desenho universal da Espanha e América Latina

Uma das principais conclusões que mencionam é que, para facilitar a orientação na cidade, o sistema deve ser flexível e adaptável a qualquer situação, com o objetivo de compensar, tanto a falta de recursos ou capacidades individuais das pessoas (cor vermelha), como as limitações de legibilidade do entorno (azul). O sistema de orientação (amarelo) deve adaptar-se com naturalidade ao máximo de situações possível, em entornos e condições diversas e em constante transformação.

Quanto menos habilidades pessoais, ou menor legibilidade do entorno, maior será o número de recursos que o sistema fornecerá.

 


Como projetar e calcular uma rampa?

Os sistemas de orientação não só se baseiam em uma série de códigos fáceis de aprender, que ajudam a simplificar instruções ou descrições complexas, mas também em saber dar a informação adequada no lugar oportuno:

Pontos de chegadas (nós de planejamento de um percurso, localizados em estações); Pontos de orientação (onde as pessoas possam tomar decisões e comprovar o progresso de seu percurso); Pontos de impulso (onde podem seguir instruções simples para continuar sua viagem); e Pontos de interpretação (com informação contextual sobre os lugares).

Por último, aqui entra a questão talvez mais visível, das aplicações, que podem ser os sistemas na rua, as ferramentas pessoais digitais, os mapas impressos, a integração com o metrô e ônibus, guias, recursos online e folhetos de informação interpretativa.

 

Mas então, como se alcança e consolida a integridade de um sistema?

Deve transformar-se em um elemento permanente nas ruas e na mente dos usuários. As pessoas devem querer utilizar esses recursos e confiar neles. Portanto, o sistema deve comprometer-se com elas e ser preciso.

 

Fonte: “Plan director Leer Madrid. Sistema de señalización y orientación peatonal universal”.

 

Disponível em: www.archdaily.com.br/br/923172. Acesso em: 03/10/2019.

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